ENTREVISTA COM O SLUG
Da esquerda para a direita: Saulo, Guilherme, Zé Mário, Carlos André, Gustavo, Kelly Moura e Welbert.
SLUG: Guilherme, Zé Mário, Carlos André e Gustavo.


       
Formado em 1992, o SLUG, hoje composto por Carlos André (vocal e guitarra), Guilherme Negrão (guitarra), Gustavo Pimenta (baixo) e Zé Mário (bateria), apesar de ser uma banda independente, vem conquistando seu espaço no cenário musical de Brasília, principalmente após a boa receptividade de seu último trabalho, intitulado "Maxi Single", e, também, pelas excelentes apresentações no Brasília Fest Rock e Porão do Rock, ambos realizados em 2001. A METAL BRASIL compareceu ao ensaio do conjunto e depois de uma canja das músicas "Waiting To Die", "Alone" e "I'm Trying", de uma conversa descontraída sobre futebol (onde ficamos sabendo que Carlos André, também, é torcedor do Galo Mineiro) e dos shows realizados em Salvador/BA, tivemos uma agradável entrevista, cujos melhores momentos vocês poderão conferir a seguir.

      A banda surgiu em 1992, como foi que vocês se conheceram e como surgiu o nome "SLUG"? Vocês tinham outro nome em mente?

      Carlos André: Eu já conhecia o Zé Mário, que é o baterista da banda, desde moleque e sempre gostamos de rock. Nós sempre víamos várias bandas de rock e nos perguntávamos porque nós não poderíamos chegar lá, também? Que tal formarmos uma banda? Por outro lado, a minha família é de músicos e acabei tendo uma formação musical desde pequeno. O nome oficial da banda surgiu dos seriados antigos do Batman, onde apareciam diversas legendas de porrada e, às vezes, aparecia a palavra SLUG. Tivemos outros nomes, mas foi mais de brincadeira, tendo alguns em português, como FRATURA EXPOSTA e CÂNCER DE MAMA... (risos).

       O primeiro CD, "SHATTERED", foi produzido e mixado por Guilherme Bonolo, que foi produtor e técnico de som dos RAIMUNDOS. Como foi trabalhar com ele?

       Carlos André: Foi bom... Na verdade, já conhecíamos o Guilherme bem antes do lance dos RAIMUNDOS estourar. Na época, em 1997, ele não estava tão evolvido com os RAIMUNDOS. Então, ele tinha tempo para estar aqui sempre, o que fez com que o disco saísse rapidinho. O Guilherme, também, já tinha uma estrada musical, fazendo que fosse bastante fácil trabalhar com ele, pois sabia exatamente o que tinha que fazer para tirar o som que a gente estava querendo.

       Desde o "SLUG DEMO TAPE", passando pelo primeiro CD ("SHATTERED"), até o Maxi Single é sensível a evolução musical, inclusive com adição de peso às músicas, principalmente após a entrada do Guilherme Negrão na guitarra. Como foi que ele entrou na banda?

       Carlos André:
Quem tocava conosco antes era o Rafael na guitarra, que acabou saindo do grupo. Resolvemos, então, continuar a trabalhar como um trio e lançar o "Shattered", até que, um dia, vimos o Guilherme tocar num show e, tendo em vista que o equipamento dele era legal, o chamamos para entrar na banda... (gargalhas gerais).

      Guilherme Negrão: O Carlos André um dia me ligou e disse que a banda tinha lançado um CD, em agosto de 1997, pediu que ouvisse o trabalho e me convidou para entrar no conjunto. Escutei o álbum, gostei do som e acabei aceitando o convite...

      Quando se ouve os trabalhos do "SLUG" são latentes as influências de METALLICA, MEGADETH e IRON MAIDEN em suas canções. Além dessas bandas mencionadas, existem outras que contribuem para o processo de composição das músicas do conjunto?

       Carlos André:
Não que as bandas que você citou influem diretamente em nosso trabalho, mas temos outras influências como: DEEP PURPLE e RUSH (principalmente). Cada integrante da banda contribui com sua influência, fazendo com que a nossa música saia naturalmente. Para você ver, ultimamente estamos ouvindo muito ANTHRAX e SLAYER...

       Gustavo Pimenta:
Realmente, verifiquei em diversas revistas e resenhas de que temos coisas, além das que você mencionou, inclusive de QUEENSRYCHE. Porém, como Carlos André disse, cada um contribui um pouco para fazer com que o nosso som saia naturalmente...

       Zé Mário:
Hoje em dia é difícil não ser comparado com alguém, principalmente com o número de bandas existentes no mundo e com a rapidez da informação pela Internet.

      
A receptividade do álbum "SHATTERED" foi muito boa e quanto ao Maxi Single, como está?

       Carlos André:
Foi muito maior que o "Shattered"! Assim que lançamos o "Maxi Single", ele foi um dos fatores que ajudou o SLUG a tocar em festivais de grande porte em Brasília. É um disco que têm músicas que quebraram barreiras, principalmente porque ainda somos uma banda independente de Heavy Metal. Fez com que a gente aparecesse em cadeia nacional da Rede Globo e a faixa "Alone" está tocando em rádio no horário de programação normal.

       Zé Mário:
O "Maxi Single" fez com que o SLUG ficasse bem mais conhecido do que o "Shattered", à época. É lógico que o "Shattered" ajudou com que o público tivesse uma expectativa maior para o lançamento do "Maxi Single", no sentido de querer conhecer um novo trabalho do grupo, o que ajudou bastante na sua excelente receptividade.

      
É verdade que Carlos André esqueceu a letra da música "I'm Trying" na festa de lançamento do Maxi Single? Como foi que rolou este fato engraçado?

      Carlos André:
Foi um fato desgraçado... (gargalhadas gerais) Na verdade, o "Maxi Single" foi feito de uma forma muito rápida. Em 1 mês, o gravamos e o compomos. A letra de "Alone", por exemplo, foi composta bem ligeira. Lembro que o Guilherme me ligou e disse que tínhamos o estúdio para gravar às 17 horas e isso era ao meio-dia! Fizemos a letra naquela mesma tarde, pois já tinha a harmonia e a melodia da voz na minha cabeça há algum tempo. Então, quando rolou o show na AABR, nós tínhamos acabado de lançar o disco... Não é que me esqueci da letra... (risos). Eu só troquei as frases de lugar... (gargalhas gerais). Bem, na verdade, esqueci qual era a frase que abria a música, pois ia cantar a que começava a segunda estrofe... Então, vi uns moleques já cantando na minha frente e acabei colando deles... (risos).

      
O logotipo da banda mudou no Maxi Single, que ficou bastante legal. De quem foi a idéia? Vocês pretendem mantê-la nos próximos trabalhos do conjunto?

      Carlos André: O "S" do "Maxi Single" acabou se tornando a nossa marca registrada e os fãs, durante os shows, já fazem o "S" com os dedos da mão. Com certeza, pretendemos mantê-lo nos próximos trabalhos do SLUG.


CONHEÇA MAIS SOBRE O SLUG



DISCOGRAFIA OFICIAL



Shattered (1997)




Maxi Single (2001)



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TIRO NO ESCURO

Teste musical com a banda - veja aqui

      Apesar de ser divulgado na Revista PORÃO DO ROCK que vocês lançariam um novo trabalho em agosto de 2001, não foi o que ocorreu. Vocês tiveram algum problema para lançá-lo? Como está o processo de gravação? A sua produção será feita pela própria banda, como foi no Maxi Single?

      Carlos André: É o seguinte, começamos a compor e a gravar esse disco em 24 de dezembro de 1998. Retornamos a trabalhar com ele, em meados de 1999, para terminar a nossa parte que era deixa-lo gravado. Em 2000 e 2001, perdemos muito tempo para mixá-lo. Quem produziu, também, esse disco foi o Guilherme Bonolo, mas, como ele estava muito envolvido com o lance dos RAIMUNDOS, quase não parava em Brasília. Por outro lado, ele está testando novas técnicas de produção e somos a primeira cobaia... (risos). É um processo bastante demorado. Ao contrário do "Maxi Single" que saiu bem rápido, pois foi gravado e mixado pela própria banda, num trabalho, totalmente, independente. O disco novo, graças a Deus, está pronto e, agora, estamos em busca de uma gravadora para lançá-lo. Realmente prevíamos tê-lo lançado em agosto do ano passado, mas essas coisas são imprevisíveis. Assim, como fizemos previsões boas que não aconteceram, fizemos previsões ruins que, também, não aconteceram.
      O novo álbum já tem título? As músicas que irão compor o novo disco seguirão a mesma linha musical dos trabalhos anteriores? O que os fãs podem esperar do novo CD do "SLUG"?


       Carlos André: Esperar... (gargalhadas gerais). O disco se chama "Points Of View" que significa "Pontos de Vista" e será o nosso álbum mais pesado.

      Felizmente pude presenciar algumas apresentações do conjunto, como no Brasília Fest Rock 2001 e no Porão do Rock 2001, por exemplo, e verifiquei que a banda toca excelentes covers, como de "IRON MAIDEN" e de "SCORPIONS", para citar alguns. Vocês pensaram em lançar alguma dessas homenagens no próximo trabalho?

       Carlos André: Não... Acho que não...
      
       Gustavo Pimenta: Nós até pensamos em gravar algum cover, mas não colocar em CD.

      Já que estamos falando de covers, a banda manda bem com a música "Powerslave" do IRON MAIDEN. Qual foi a sensação de dividir o palco com ex-vocalista da donzela, Paul Di'Anno?

      Carlos André: Falou com a pessoa certa, pois sou fanático por IRON MAIDEN (risos). N.R.: Eu também... (mais risos) Quando comecei a escutar a donzela, eu gostava mais do Paul Di'Anno do que o Bruce Dickinson. E foi bem legal, não só no dia do show em si, mas porque tivemos a oportunidade de sair com o Di'Anno e tomar umas cervejas com ele. Apesar de passar pouco tempo com ele, pudemos perceber que é um cara gente fina e bastante humilde. É o tipo de coisa que você, quando começa a tocar, nunca imagina que vá acontecer e, de repente, você está lá ao lado de alguém que tocou no IRON MAIDEN!!! Foi realmente uma sensação muito boa... (risos).

      Apesar do "SLUG" ser uma banda independente, vocês tocaram em dois grandes festivais: o Brasília Fest Rock e o Porão do Rock. Como foi tocar ao lado de grupos como "OVERKILL" (Trash Metal dos anos 80), "PAVILHÃO 9", "RAIMUNDOS" e "RATOS DO PORÃO", sendo estes três últimos de estilos tão diferentes?

      Carlos André: Nós que somos uma banda independente e dividir o palco de igual pra igual ao lado dessa galera, foi excelente. É legal você estar lá em cima e ver como tudo funciona. Assim como no show do Paul Di'Anno, não é só na hora do show que é legal, mas antes e depois. Por exemplo, pudemos trocar algumas idéias com o pessoal do OVERKILL. Já com os RATOS DE PORÃO, saímos com eles e pudemos mostrar a nossa cidade.

      O "SLUG" foi formado em 1992, portanto passou por um período em que o metal perdeu espaço, ante o surgimento mundial do Grunge e, no Brasil, na valorização de diversos estilos musicais que não o rock. No entanto, nestes últimos anos, parece que a situação está melhorando, onde a cena está mais forte e profissional também. Como vocês avaliam essas mudanças?

      Carlos André: Independente da tendência do momento, sempre continuamos em frente, tocando aquilo que gostamos. No início, como você disse, realmente foi um pouco difícil, pois tínhamos o sonho de um dia ter um lugar ao sol... Depois, o metal deu uma caída, mas, como disse, continuamos em frente fazendo o nosso som. Ano passado, foi o melhor ano da banda e nós nunca havíamos imaginado de que isso fosse acontecer.

      Falando em nova onda, vocês que têm raízes no rock dos anos 70 e 80, principalmente no Trash Metal e Heavy Tradicional, como avaliam o chamado "New Metal", que é representado por bandas como KORN e LIMP BIZKIT? Vocês curtem esse tipo de som?

      Carlos André: Acho uma porcaria... (risos) (N.R.: Eu também detesto...).

      Guilherme Negrão: Eu me amarro!!! SLIPKNOT é o bicho!!! Eles fazem um som bem pesado, principalmente depois do novo álbum. Esse lance de "New Metal" não é nem tão novo assim. Essas bandas já faziam isso desde 90, inclusive já são rotuladas de "Nu Metal", fazem um Heavy Metal novo e estão seguindo a tendência delas...

       
Carlos André: Resumindo uma porcaria!!!! (risos gerais).

      Tendo em vista a boa receptividade dos últimos trabalhos do conjunto, como está a agenda de shows e quais os planos para o futuro?

      Carlos André: Por enquanto não vale a pena fazer shows, pois a cidade em si está em férias...

      Guilherme Negrão: No início, até pensamos em particpar do CARNAROCK, mas desanimamos. Agora, estamos aproveitando as férias para compor e ensaiar as novas músicas.

      Carlos André: A meta maior é participar novamente do BRASÍLIA FEST ROCK e do PORÃO DO ROCK...

      Gustavo Pimenta: E do Rock In Rio ano que vem ao lado de U2 e RUSH!!! (gargalhadas gerais).

      Quais são os 10 melhores álbuns na opinião de vocês?

      Todos escolheram: DREAM THEATER - Images And Words; IRON MAIDEN - Powerslave; IRON MAIDEN - Seventh Son Of Seventh Son; JUDAS PRIEST - Painkiller; MEGADETH - Rust In Peace; METALLICA - Black Album; METALLICA - Ride The Lightning; SEPULTURA - Chaos A. D.; SLAYER - South Of Heaven e RUSH - Moving Pictures.

      O que vocês ainda gostariam de dizer aos fãs do "SLUG"?

      Carlos André : Só agradecer de coração... Não só quem compra os discos ou as camisetas, mas aqueles que torcem pela banda.

      Gustavo Pimenta: Aí galera de Salvador, quando fomos tocar por esses lados novamente, compareçam aos nossos shows, pois as últimas vezes foram demais!!! (risos).

      Zé Mário: Queria agradecer a galera que esteja apostando na banda, pois iremos fazer de tudo para não decepcionar a moçada. Gostaria de pedir também que vocês sejam o integrante número 12 da torcida do SLUG!!!! (risos gerais).

      Guilherme Negrão: Um abração a todos!!! Valeu pela entrevista!!! Estamos aí, trabalhando para mandar mais Rock n' Roll para a galera...

Por Welbert Rabelo
Brasília-DF, 19/01/02