Matérias: BRASÍLIA ROCKS / Carlos Lopes
Domingo, 12 de Março de 2006 (22:58:41)
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Confira os lançamentos do selo GRV
BRASÍLIA ROCKS GRV Records
Carlos Lopes
A
união faz a força. Em Brasília, essa foi a solução encontrada
para resolver os males da vida independente. Uma verdadeira
família musical se deu as mãos: o músico de um grupo é o técnico
de gravação de outro, a mesma backing-vocalista participa dos discos de
blues de várias bandas e assim por diante. Gustavo Vasconcellos,
a cabeça que comanda o selo GRV, mostra que Brasília está mais viva do
que nunca e que não deve ser apenas lembrada como um dos celeiros do
melhor rock brasileiro dos 80. A cena atual é tão poderosa como a
de qualquer outra cidade. Esses lançamentos provam a dimensão do
talento dos amigos candangos.
CADABRA Solstício
Bom
disco de rock pesado que mescla influências alternativas (a capa de
girassol), sem soar excessivamente alterna ou new. A produção
correu a cargo do guitarrista Gustavo Guimarães. Para situar o
som da banda, poderíamos citar Nirvana, Black Sabbath e de alguma
maneira, System of a Down, como algumas das referências. O grande
diferencial são as boas (poéticas) letras em português, muito bem
cantadas por Daniel Grilo, com exceção da gritaria de gringo em alguns
momentos. As faixas que mais chamam a atenção são “Adoração e
Plástico”, que mescla uma boa melodia psicodélica, alternatividade na
medida e muito peso; as sabbatianas faixa título e “Você é Só” e
as últimas “O Mundo Novo” e “O Último Dia de Sol”, que brincam com
climas mais amenos e sutis, ritmos e compassos diferentes. CL
 CELSO SALIM Going Out Tonight
A
capa com uma moça negra de black power tomando o uísque Celso Salim,
enquanto mexe nas pedras no copo de vidro é uma boa dosagem do
conteúdo. Do artista, não da garrafa. O CD trafega no blues
mais limpo, não tem muito daquele blues-rock-pesado do Led Zep.
Em “Slow Down”, o negócio fica mais pesado, estilo Foghat com boa
guitarra slide e bons vocais de apoio. Bons músicos, boa
gravação, boas gaitas, slides e um correto inglês, para não soar
fuleragem. Por falar em slide, a viajante “See You Tomorrow” é
uma das candidatas à favorita. A led zeppeliniana “Ain´t Gonna
Fade Away” com vocais ultra-arrepiantes de (gaitista) Darryl Carriere,
também é candidata. Matadora. Os funk rocks “Don´t Bother
Me” e “Funk Mama”, estilo Edgar Winter, também mandam muito bem. CL
 DILLO D´ARAUJO Crocodillogang
De
cara, você lembra do Led Zeppelin. Porém não soa como uma cópia
qualquer e nem com uma produção chulé. É antigo, mas não é um
incômodo mofado. Os bons vocais afinados e levemente roucos de
Rafael Cury são acompanhados pela boa guitarra bluseira do próprio
Dillo. A bonita e sulista faixa “Almost Morning” soa como um
filho perdido de algum Allman Brothers no planalto central. O
vocal na medida do (também gaitista) Darryl Carriere em “11 Days, 11
Nights” é um show à parte. A instrumental country “Avenida
Comercial”, inclusive com saxofone, é a grande faixa do CD. Para
fãs do Zep, Black Crowes, Free, fora os blueseiros arretados.
Inclui faixa interativa. CL
METAL DO CERRADO Volume 1
São
cinco bandas candangas de metal que participam dessa coletânea:
Khallice, Slug, Totem, Abhorrent e Underskin Crawler. Todas
têm qualidades e defeitos, mas prefiro citar as duas que se destacam.
Khallice (de vinho tinto de sangue?) é uma boa banda de metal
melódico, na linha do Dream Theater que não prima pela velocidade, mas
pelas harmonias e pelo trabalho de guitarra de Marcelo Barbosa. A
Slug é inspirada harmonicamente pelo Metallica, não o de início de
carreira, mas o do “Álbum Preto”, por assim dizer. O únicos
senões são bastante compreensíveis, pois é complicado fazer uma
coletânea, seja de que estilo for. No geral, a bateria é o
instrumento desprivilegiado, todas soam magras. E as guitarras,
apesar de pesadas, soam, muitas vezes, gravadas com plug-in de algum
programa de computador ou com efeitos digitais. CL
SLUG Not For Sale
O
quarteto brasiliense navega no mesmo mar que o Metallica da fase do
Black Album para cá. O trabalho é bem produzido, o que acarreta
muitos pontos a favor, ainda mais quando o grupo utiliza essa
influência para novos vôos, como na melódica e cativante “I Always
Wanna Change”. A banda não é rápida, porém concisa em seu ritmo
marcial. São dez boas faixas, que merecem a atenção de todos.
O curioso sobre o CD solo do Slug é perceber que a mesma música
que abre o trabalho (“I Believe In My Lies”) é a mesma da
coletânea Metal do Cerrado, mas aqui ela soa melhor, não sei se por
causa da masterização ou de uma outra mixagem. Inclui o
vídeo-clipe de “Alone”. CL
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