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música A
terceira onda
Depois de se destacar
nacionalmente como celeiro de grupos de rock nos anos 80, Brasília
vê surgir nova geração de bandas roqueiras que conquistaram seu
público na cidade e já atendem a convites para shows em outros
estados
Da Redação
| Antonio Siqueira 2.10.01 |
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Bois de Gerião é a grande aposta do
rock brasiliense: disco sai este ano pelo selo brasiliense
Protons e banda quer ganhar o país
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| Nehil Hamilton 5.4.01 |
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Gramofocas mescla punk com rockabilly:
shows têm público cativo
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| | Legião Urbana, Capital Inicial, Raimundos. Se essas são
bandas de Brasília que figuram na sua lista das ‘‘mais mais’’, é
sinal de que você anda desatualizado. Tida como meca do rock’n’roll
brasileiro nos anos 80, a cidade hoje briga para manter o título de
capital desse gênero musical. Entre os representantes do que podemos
chamar de terceira geração do rock candango estão nomes como Bois de
Gerião, Gramofocas, Sentupé, Prot(o) e Slug. Cada um a seu estilo,
esses e outros grupos estão dando o que falar por aqui.
Para alguns, a atual efervescência da cena
rocker se dá pela feliz combinação de uma série de fatores.
‘‘Estamos vivendo bom momento, parece que voltamos àquele clima dos
anos 90. Hoje, bandas como Bois de Gerião e Gramofocas têm público
cativo’’, comemora Álvaro Dutra, músico e um dos donos do selo
Protons, responsável em grande parte pelo novo fôlego do rock local.
No último final de semana, a gravadora completou
um ano de vida e comemorou o feito em grande estilo. Álvaro e seus
sócios — Bianca Martin e Bruno Cavalcanti — promoveram no Sesc da
913 Sul um festival reunindo 12 bandas, a maioria da cidade. Boa
parte das novas promessas — algumas nem tão novas assim — faz parte
do cast do selo. O Protons, aliás, é o único independente no Brasil
que, além de divulgar o trabalho das bandas, ainda financia a
gravação dos discos.
O Bois de Gerião é uma
delas. O grupo, aliás, é o mais bem cotado na bolsa do rock
brasiliense. O skacore do sexteto é a grande aposta do pessoal da
Protons, que deve lançar o disco — que está na fábrica — ainda neste
semestre. ‘‘O Bois é uma banda pronta para o mercado nacional’’,
aposta Fernando Rosa, jornalista e especialista em rock. Fernando é
responsável por parte da agitação em torno da cena rocker. Além de
um programa em rádio virtual, ele promove desde o ano passado as
chamadas Noite Senhor F. Na quinta edição, o evento é uma das raras
oportunidades em que as bandas da cidade ainda podem tocar.
Pé na estrada Na terceira noite, o Rockacola —
que leva punkabilly competente — foi um dos grupos escalados. Os
garotos não perdem a chance de mostrar serviço nos palcos
brasilienses e foram convidados para tocar no Bananada, festival que
rola no mês que vem em Goiânia. ‘‘Recebemos o convite e ficamos
surpresos’’, empolga-se o guitarrista Bruno. O show na capital
goiana será o primeiro fora de Brasília.
No
mesmo barco do Rockacola, estão os Gramofocas. Com mistura de punk
com rockabilly, o trio faz um dos shows mais animados da cidade. O
grupo foi um dos destaques do festival Porão do Rock no ano passado,
e deve entrar em estúdio ainda este ano para gravar o primeiro
álbum, que também será lançado pela Protons.
A
ala mais pesada do rock, o metal, também tem representante nessa
nova safra. O Slug é um dos únicos sobreviventes da cena metaleira
na cidade, que viveu dias melhores. Formado por Carlos André (vocal
e guitarra), Guilherme (guitarra), Gustavo (baixo) e Zé Mário
(bateria), o Slug tem dois discos no mercado e já tocou até na
Bolívia. Em 2001, o grupo se apresentou nos dois maiores festivais
da capital, o Brasília Fest Rock e o Porão do Rock.
Na praia dos alternativos, a grande revelação é
o Prot(o). Inicialmente projeto solo de Carlos Pinduca, ex-Maskavo
Roots, a banda tornou-se quarteto em 1999. Melodia e pegada dosadas
na medida certa são os ingredientes que fazem do Prot(o) uma das
bandas mais badaladas da cidade. ‘‘É um momento propício para o tipo
de som que a gente faz’’, explica, modesto, Pinduca.
Demos na bagagem Além de ter sido promovida para
o palco principal do Porão do Rock, no ano passado o Prot(o) tocou
também em alguns festivais de fora, como o Goiânia Noise. No próximo
final de semana, apresenta-se na 10ª edição do respeitado Abril Pro
Rock, em Recife. Com duas demos na bagagem, tem programada para este
ano a gravação do primeiro disco.
A Sentupé é
unanimidade quando o assunto é pop-rock. Sem medo de assumir o
rótulo que ainda faz muito roqueiro torcer o nariz, a banda investe
pesado nesse segmento, ainda pouco explorado pelas bandas
brasilienses. Em 2001, fizeram mais de 30 shows, com destaque para a
apresentação no Brasília Fest Rock, em junho do ano passado. ‘‘Temos
tido resposta ótima do público e estamos felizes por fazer som que a
gente curte’’, explica o vocalista Cássio Uffi. No momento, a banda
grava — em esquema independente — o primeiro álbum, com lançamento
previsto para junho.
Outra aposta é o Jack
Fluster, que canta em inglês e segue os caminhos do hardcore
melódico. Em dezembro passado, o quarteto lançou pela Protons o
primeiro disco, Disconstructed. Figurinha constante nos shows em
Brasília, a banda também tem público fiel. O estouro nacional de
bandas como a paulista CPM 22 pode ajudar a alavancar a carreira do
Jack Fluster.
A ebulição da cena local, no
entanto, não é suficiente para garantir o boom de grupos dessa nova
geração. ‘‘As gravadoras perderam o faro para encontrar bandas
legais. Para convencê-las, é preciso provar que os grupos vão vender
500 mil cópias’’, afirma Fernando Rosa. Talvez devessem prestar mais
atenção no que a galera anda aprontando.
Ouça o som dos Gramofocas (arquivo mp3 de 1.56MB), Bois de Gerião (arquivo Real Audio de 63B),
Jack Fluster (arquivo mp3 de 731KB), Prot(o) (arquivo asf de 292KB) e Rockacola (arquivo mp3 de 1.08MB)
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Quem
é quem
| Gabriela
Goulart/Divulgação |
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| | PROT(O) Surgido em 1996, o grupo (foto) traz
como influências Beatles, The Who, Clash, Buzzcocks e Mudhoney,
dentre outros. Na próxima semana, a banda se apresenta em Recife no
festival Abril Pro Rock — um dos mais importantes da cena roqueira
underground brasileira. Devem lançar o primeiro CD ainda este ano.
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GRAMOFOCAS
Revelado na última edição do festival Porão do Rock, o trio é
adepto da mistura de punk com rockabilly. Devem lançar o primeiro CD
ainda em 2002.
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| Ricardo Borba 6.6.01 |
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| | JACK FLUSTER O quarteto brasiliense de
hardcore melódico (foto) , formado em 1996, lançou no ano passado o
CD de estréia, Disconstructed.
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BOIS DE GERIÃO
Formado em 1994, o sexteto gravou, em 2001, o primeiro CD, com
produção de Phillipe Seabra, da Plebe Rude. O disco deve sair até
maio pelo selo brasiliense Protons. São os queridinhos de público e
da crítica.
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| Ricardo Borba 25.10.01 |
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| | ROCKACOLA Rockabilly e psychobilly são o
forte do quarteto (foto) , formado no final de 1999. A banda nasceu
como cover dos Ramones e deve lançar em breve um CD-demo pelo selo
Protons. Em maio, tocam no festival Bananada, em Goiânia.
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SENTUPÉ
Formado em agosto de 2000, o quarteto faz pop-rock com
influências de Red Hot Chilli Pepers e Rumbora. O grupo está em
estúdio gravando o primeiro álbum, com expectativa de lançamento
para junho.
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| Paulo
Macdowell/Divulgação |
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| | SLUG Maior representante da cena de metal de
Brasil, o Slug (foto) já está na estrada há uma década. As
influências vêm de bandas como Rush, Iron Maiden e, principalmente,
Metallica. No ano passado, lançaram o segundo álbum e foram um dos
destaques do Porão do Rock.
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