Brasília, sexta-feira, 12 de abril de 2002
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música
A terceira onda

Depois de se destacar nacionalmente como celeiro de grupos de rock nos anos 80, Brasília vê surgir nova geração de bandas roqueiras que conquistaram seu público na cidade e já atendem a convites para shows em outros estados

Da Redação

Antonio Siqueira 2.10.01
Bois de Gerião é a grande aposta do rock brasiliense: disco sai este ano pelo selo brasiliense Protons e banda quer ganhar o país
 
Nehil Hamilton 5.4.01
Gramofocas mescla punk com rockabilly: shows têm público cativo
 
Legião Urbana, Capital Inicial, Raimundos. Se essas são bandas de Brasília que figuram na sua lista das ‘‘mais mais’’, é sinal de que você anda desatualizado. Tida como meca do rock’n’roll brasileiro nos anos 80, a cidade hoje briga para manter o título de capital desse gênero musical. Entre os representantes do que podemos chamar de terceira geração do rock candango estão nomes como Bois de Gerião, Gramofocas, Sentupé, Prot(o) e Slug. Cada um a seu estilo, esses e outros grupos estão dando o que falar por aqui.

  Para alguns, a atual efervescência da cena rocker se dá pela feliz combinação de uma série de fatores. ‘‘Estamos vivendo bom momento, parece que voltamos àquele clima dos anos 90. Hoje, bandas como Bois de Gerião e Gramofocas têm público cativo’’, comemora Álvaro Dutra, músico e um dos donos do selo Protons, responsável em grande parte pelo novo fôlego do rock local.

  No último final de semana, a gravadora completou um ano de vida e comemorou o feito em grande estilo. Álvaro e seus sócios — Bianca Martin e Bruno Cavalcanti — promoveram no Sesc da 913 Sul um festival reunindo 12 bandas, a maioria da cidade. Boa parte das novas promessas — algumas nem tão novas assim — faz parte do cast do selo. O Protons, aliás, é o único independente no Brasil que, além de divulgar o trabalho das bandas, ainda financia a gravação dos discos.

  O Bois de Gerião é uma delas. O grupo, aliás, é o mais bem cotado na bolsa do rock brasiliense. O skacore do sexteto é a grande aposta do pessoal da Protons, que deve lançar o disco — que está na fábrica — ainda neste semestre. ‘‘O Bois é uma banda pronta para o mercado nacional’’, aposta Fernando Rosa, jornalista e especialista em rock. Fernando é responsável por parte da agitação em torno da cena rocker. Além de um programa em rádio virtual, ele promove desde o ano passado as chamadas Noite Senhor F. Na quinta edição, o evento é uma das raras oportunidades em que as bandas da cidade ainda podem tocar.

Pé na estrada
Na terceira noite, o Rockacola — que leva punkabilly competente — foi um dos grupos escalados. Os garotos não perdem a chance de mostrar serviço nos palcos brasilienses e foram convidados para tocar no Bananada, festival que rola no mês que vem em Goiânia. ‘‘Recebemos o convite e ficamos surpresos’’, empolga-se o guitarrista Bruno. O show na capital goiana será o primeiro fora de Brasília.

  No mesmo barco do Rockacola, estão os Gramofocas. Com mistura de punk com rockabilly, o trio faz um dos shows mais animados da cidade. O grupo foi um dos destaques do festival Porão do Rock no ano passado, e deve entrar em estúdio ainda este ano para gravar o primeiro álbum, que também será lançado pela Protons.

  A ala mais pesada do rock, o metal, também tem representante nessa nova safra. O Slug é um dos únicos sobreviventes da cena metaleira na cidade, que viveu dias melhores. Formado por Carlos André (vocal e guitarra), Guilherme (guitarra), Gustavo (baixo) e Zé Mário (bateria), o Slug tem dois discos no mercado e já tocou até na Bolívia. Em 2001, o grupo se apresentou nos dois maiores festivais da capital, o Brasília Fest Rock e o Porão do Rock.

  Na praia dos alternativos, a grande revelação é o Prot(o). Inicialmente projeto solo de Carlos Pinduca, ex-Maskavo Roots, a banda tornou-se quarteto em 1999. Melodia e pegada dosadas na medida certa são os ingredientes que fazem do Prot(o) uma das bandas mais badaladas da cidade. ‘‘É um momento propício para o tipo de som que a gente faz’’, explica, modesto, Pinduca.

Demos na bagagem
Além de ter sido promovida para o palco principal do Porão do Rock, no ano passado o Prot(o) tocou também em alguns festivais de fora, como o Goiânia Noise. No próximo final de semana, apresenta-se na 10ª edição do respeitado Abril Pro Rock, em Recife. Com duas demos na bagagem, tem programada para este ano a gravação do primeiro disco.

  A Sentupé é unanimidade quando o assunto é pop-rock. Sem medo de assumir o rótulo que ainda faz muito roqueiro torcer o nariz, a banda investe pesado nesse segmento, ainda pouco explorado pelas bandas brasilienses. Em 2001, fizeram mais de 30 shows, com destaque para a apresentação no Brasília Fest Rock, em junho do ano passado. ‘‘Temos tido resposta ótima do público e estamos felizes por fazer som que a gente curte’’, explica o vocalista Cássio Uffi. No momento, a banda grava — em esquema independente — o primeiro álbum, com lançamento previsto para junho.

  Outra aposta é o Jack Fluster, que canta em inglês e segue os caminhos do hardcore melódico. Em dezembro passado, o quarteto lançou pela Protons o primeiro disco, Disconstructed. Figurinha constante nos shows em Brasília, a banda também tem público fiel. O estouro nacional de bandas como a paulista CPM 22 pode ajudar a alavancar a carreira do Jack Fluster.

  A ebulição da cena local, no entanto, não é suficiente para garantir o boom de grupos dessa nova geração. ‘‘As gravadoras perderam o faro para encontrar bandas legais. Para convencê-las, é preciso provar que os grupos vão vender 500 mil cópias’’, afirma Fernando Rosa. Talvez devessem prestar mais atenção no que a galera anda aprontando.


Ouça o som dos Gramofocas (arquivo mp3 de 1.56MB), Bois de Gerião (arquivo Real Audio de 63B), Jack Fluster (arquivo mp3 de 731KB),
Prot(o) (arquivo asf de 292KB) e Rockacola (arquivo mp3 de 1.08MB)


Quem é quem
Gabriela Goulart/Divulgação

 

PROT(O)
Surgido em 1996, o grupo (foto) traz como influências Beatles, The Who, Clash, Buzzcocks e Mudhoney, dentre outros. Na próxima semana, a banda se apresenta em Recife no festival Abril Pro Rock — um dos mais importantes da cena roqueira underground brasileira. Devem lançar o primeiro CD ainda este ano.



GRAMOFOCAS
Revelado na última edição do festival Porão do Rock, o trio é adepto da mistura de punk com rockabilly. Devem lançar o primeiro CD ainda em 2002.


Ricardo Borba 6.6.01

 

JACK FLUSTER
O quarteto brasiliense de hardcore melódico (foto) , formado em 1996, lançou no ano passado o CD de estréia, Disconstructed.



BOIS DE GERIÃO
Formado em 1994, o sexteto gravou, em 2001, o primeiro CD, com produção de Phillipe Seabra, da Plebe Rude. O disco deve sair até maio pelo selo brasiliense Protons. São os queridinhos de público e da crítica.


Ricardo Borba 25.10.01

 

ROCKACOLA
Rockabilly e psychobilly são o forte do quarteto (foto) , formado no final de 1999. A banda nasceu como cover dos Ramones e deve lançar em breve um CD-demo pelo selo Protons. Em maio, tocam no festival Bananada, em Goiânia.



SENTUPÉ
Formado em agosto de 2000, o quarteto faz pop-rock com influências de Red Hot Chilli Pepers e Rumbora. O grupo está em estúdio gravando o primeiro álbum, com expectativa de lançamento para junho.


Paulo Macdowell/Divulgação

 

SLUG
Maior representante da cena de metal de Brasil, o Slug (foto) já está na estrada há uma década. As influências vêm de bandas como Rush, Iron Maiden e, principalmente, Metallica. No ano passado, lançaram o segundo álbum e foram um dos destaques do Porão do Rock.

 
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